Sicilia (Palermo e Catania) – ITÁLIA

PALERMO

Pra mim é joia, pros cidadãos de Catania, a cidade que rivaliza com ela, não é nada de joia. Palermo é lindona; tem montanhas que a cercam, na mesma proporção que o Rio de Janeiro, assim como um mar azul turquesa diante de si. Mas a história de lá e de toda a Sicília remonta a “só” mais ou menos 2200 anos a mais que a do Brasil como um todo.

Sículos (habitantes mais antigos da ilha), Fenícios, Gregos, Romanos, Árabes Sarracenos e Bizantinos já passaram e dominaram a cidade. Ela é considerada a “mais conquistada cidade do mundo”, segundo a IA do google; mas vou lhe poupar de mais informações de Inteligência Artificial. Afinal de contas, somos feitos de carne e osso.

Além disso, há prédios históricos e uma arquitetura em estilos variados como barroco, árabe, normando e art nouveau, ruelas estreitas em seu centro e entorno. Se perder nas ruas perto do famoso e icônico QUATTRO CANTI faz parte básica de sua exploração à pé da cidade. Caminhar da Catedral de Palermo e do seu entorno até os quatro cantos é obrigatório. Se perder nas ruas transversais da Via Vittorio Emanuele é altamente sugerido por mim! Há muita arquitetura linda, alguns edifícios precisando de uma boa reforma (mas isso também faz parte do encanto e charme do local), e muitas casas de moradores antigos do bairro em que a porta pra rua é coberta por uma cortina daquelas “old school” que se encontra em estabelecimentos como restaurantes ou casas mais simples do nosso brasilzão. Entendeu? O morador está ali, do outro lado da calçada em sua sala, ou quarto, e a porta pra rua é apenas enfeitada e protege sua privacidade por essa cortina vertical de tecidos, ou de contas, ou qualquer outra coisa que impeça de o xereta do turista (ops! Viajante) visualize o interior de sua casa.

Mas atenção, viajante (curioso), aqui vai A DICA DE PALERMO; por trás da PORTA NUOVA fica uma pérola gastronômica a que venho fazendo referência desde os primeiros dias de criação desse site. Lá está uma das unidades da SFRIGOLA PALERMO que é simplesmente uma lanchonete especializada em ARANCINA (na correta escrita, de acordo com os moradores de Palermo), ou bolinho de arroz frito com recheios dos mais ricos e variados. Se tu não combinares um passeio pelas lindas ruas desse centro arquitetônico e histórico da cidade com uma parada pra almoçar, ou lanchar, ou jantar aqui, eu vou brigar contigo. Portanto, o recado tá dado! O negócio é tão bem feito e por um preço tão bom (que cabe no bolso de qualquer viajante), que comer lá e ainda levar pra viagem não é uma heresia. Vá por mim. É uma dica de grátis: by Tónio de la Bordella.

Somente reforçando: arancina é como o morador de Palermo se refere ao mundialmente conhecido arancini. Já em Catania ele é referido como ARANCINU. Isso mesmo, uma vogal muda tudo. Ou é macho ou fêmea. Prove ambos, nas duas cidades, nas melhores lanchonetes do ramo com recheios do mais variados e depois venha me dizer o que achou. E qual o formato campeão?! Circular ou Cônico? Quanto à pronúncia e grafia correta, essa rivalidade entre as duas cidades é GGGGGGRRRRRAAAAANNNNDDDDEEEE.

Mas aviso logo. Gostei mais de Palermo do que de Catania. Mas a visita a uma não elimina a visita a outra. Ambas são fundamentais pra conhecer um pouco mais da Sicilia!

Palermo também fica na beira mar do Mediterrâneo e é lar de mais ou menos 1 milhão de habitantes (sendo a quinta cidade italiana em tamanho). Pra padrões europeus, é uma megalópole. Então faça sua pesquisa mais apurada de quais restaurantes estrelados visitarás; de quais cantinas, trattorias, osterias e ristorantes  não poderão faltar no seu roteiro. De quais cannoli deverão ser devorados também, dentre tantas outras sobremesas típicas, a exemplo de: cassata (mini doces em formatos de frutas cristalizados com marzipã, ricota de ovelha e pão de ló), granita (espécie de milk-shake mais leve com limão), biscoito de amêndoas ou biscoito de pistache com aroma de frutas cítricas, além de um negócio que vai soar como ogro-gastronômico, brioscia com gelato (bola de sorvete dentro de um brioche doce); cartocci é o equivalente deles dos churros, outro delícia siciliana é o cioccolato di Modica, que é um chocolate feito por moagem manual e dá uma textura granulada a ele (Modica é a cidade de sua origem na Sicilia).

Tónia e Tónio se perderam numa feira de rua no entorno do centro, pelas ruas da PRIMA CIRCOSCRIZIONE (Palermo é dividida em 8 circoscriziones, ou circunscrições, ou macro bairros, ou zonas eleitorais). E a primeira circunscrição que engloba o centro da cidade tem uma feira dia de sábado na VIA SALVATORE TOMASINO. Comprei boina no estilo italiano/europeu a um euro por lá. Saquei fotos de vegetais diferentes, docinhos chamados CASSATA feitos de pão de ló, ricota de ovelha, marzipã e fruta cristalizada em diferentes formatos e cores. Acho que inclusive esse foi um dos pontos altos do passeio, depois dos arancini, pois a feirinha é incrível! Faça suas compras e mãos à massa! Há queijos, carnes, legumes, frutas, doces típicos, roupas (comprei a boina aqui, lembra?), dentre tantos outros atrativos.

Outro ícone da arquitetura e das artes cênicas da cidade é o TEATRO MASSIMO, que inclusive também foi cenário de clássica cena do PODEROSO CHEFÃO. Vai a Palermo e não conhecer o teatro? Impossível. É como ir a Manaus e não conhecer o teatro Amazonas. É o maior teatro da Itália.

Outra dica gastronômica é tomar os típicos CHINOTTO, que nada mais são que refrigerantes de sabores locais típicos, como romã, limão, etc.

Da Via Salvatore Tomasino e da feira de sábado seguimos caminhando em direção ao porto de Palermo sentido leste, atravessando a avenida Roma e pela rua Via Schiavuzzo e outras no entorno. O Giardino Garibaldi fica aqui nessa região e vale a pena dar uma conferida. Podes FLANAR por aqui à vontade; se uma rua lhe apetecer mais que outra, vá por ela; se um comércio e uma dessas ruas lhe chamar pelo cheiro ou pelos olhos, adentre! Flanar é uma linda palavra de origem francesa. Gosto muito de flanar viajando.

As fotos dessa região portuário não ficaram das mais bonitas, pois o dia estava nublado. Mesmo assim, decidi subir o MONTE PELLEGRINO, que é uma montanha central na cidade que fica a 600 metros acima do mar. Pense em vistas lindas do alto desse morro que comprovam o quanto Palermo pode ser considerada a Rio de Janeiro da Itália. A praia urbana de Spiaggia Mondello e suas águas cristalinas puxando pro azul turquesa também fez parte do passeio e logicamente não decepcionou!

Infelizmente o tempo era curto e não passei tantos dias quanto gostaria nessa viagem pra Sicília. No dia seguinte peguei a estrada de Palermo, no sentido pra Catania, pelo interior da ilha, que é repleto de paisagens campestres, pastos, plantações e mais montanhas. E aqui segue outra dica: caso vá fazer um trecho de ida e volta pra uma mesma cidade de onde vai pegar o voo de chegada e o de partida, recomendo, se for possível e os trajetos foram interessantes, fazer uma triangulação; isto é: vá por um caminho e volte por outro, pra ver mais paisagens e mais do interior e da vida rural daquele lugar. Mas se for um local em que a possibilidade de triangulação não for possível, vá e volte pelo mesmo caminho; mas com certeza o ângulo das paisagens que verás será justamente o oposto. Portanto vai ser bom de uma forma ou de outra!

A previsão do tempo para o dia cooperou pra essa road trip e decidi fazer a conquista do MONTE ETNA antes de pernoitar no primeiro e último destino dessa viagem: Catania. A cor predominante de um vulcão geralmente é cinza. Pode ser que haja uma variação maior de colorações e de flora e fauna, caso esteja localizado em áreas tropicais, como na Indonésia, ou nas Filipinas, por exemplo. Aqui na Sicília o Monte Etna perto do nível do mar tem vegetação esverdeada, mas conforme você vai subindo a montanha e sua vegetação fica mais limitada e menos variada, por causa do clima temperado mediterrâneo, por causa do frio maior nos invernos e pela altitude (mas não se engane, use casaco até mesmo no verão, pois faz frio!). A partir de certo momento, aquela floresta de árvores vai dando lugar a uma vegetação mais rasteira (arbustos) e depois simplesmente pedras e cinzas do vulcão. Perto do topo é tudo cinza grafite com acréscimo do tom vermelho aqui e acolá e alguma vegetação rasteira esverdeada; lembra um pouco até as fotos da superfície lunar ou de marte, quem sabe?

Decidi fazer a desbravada do topo do vulcão da maneira mais fácil e prática: fui até o RIFUGIO SAPIENZA (cerca de 2 mil metros de altitude), que é de onde parte o teleférico lá pra cima, pouco mais perto do topo a 2500 metros do nível do mar. De lá, dá pra ver a cratera principal ainda mais em cima expelindo fumaças a 3300 metros. Não cheguei até o precipício da cratera principal. Mas fiz uma boa trilha explorando todo o entorno e as diversas outras crateras do Etna. Ventava bastante e havia gelo acumulado em alguns locais. Mas a geleira do vulcão ficava mais no topo. Decidi fazer o caminho de volta à base da estação de esqui no Rifugio Sapienza à pé (não tem aquele ditado: pra descer todo santo ajuda?). Foi uma excelente experiência!

A mais ou menos dois mil e quinhentos metros de altitude num dia ensolarado consegui ver o mar mediterrâneo lá embaixo. Essa visão é impressionante. Recomendo a todos que forem a Sicilia algum dia, se vulcões não estiverem nos seus piores pesadelos!

Cheguei no início da noite em Catania, que foi o destino inicial e final dessa viagem. A cidade é bastante bonita, com monumentos históricos e ao pé do monte Etna, na beira mar Jônica. Tive duas experiências gastronômicas por lá que me marcaram. A primeira não foi das melhores lembranças: quando comi uma pizza que tinha uma pedra (ou quem sabe uma cinza do monte Etna, pra ser mais romântico) que me fez rachar um dente.

Não precisei de atendimento imediato, mas na volta pra casa tive que fazer um tratamento a laser pra diminuir a sensibilidade aumentada que o dente adquiriu com o passar dos dias. A outra experiência, essa bastante digna de menção, foi comer uma alcachofra assada no carvão no Mercado de Pescados (Pescheria di Catania), perto do centro da cidade, nas vias Etna, Garibaldi Pardo e Bottino, próximo ao parque Villa Pacini.

Alguns locais que gostei de conhecer foram o Teatro Massimo Bellini, a Fontana dell’Elefante (Fonte do Elefante) e seu entorno histórico pela via Vittorio Emanuele II, o Teatro Antico greco-romano di Catania.

Numa próxima vez na Sicilia, tenho muita vontade de conhecer partes da ilha e MUITAS cidades as quais infelizmente não tive tempo hábil pra conhecer nessa primeira trip pra lá. San Vito Lo Capo (lindo balneário com praias de água cristlina), que pode servir de base pra visitar a Riserva Naturale Orientata dello Zingaro (com trilhas, praias paradisíacas e abrigos para acampar) é a primeira região que visitaria; Trapani e Marsala (na costa oeste da ilha), produtoras do sal marinho e logicamente do vinho fortificada (doce) que dá nome à Marsala, a segunda região; Agrigento, as plantações de oliveiras, amêndoas, laranjas e limões, além de vinhos, o Vale dos Templos, e da icônica Scala dei Turchi, (rocha calcária na beira do mar em formato de escadaria), como a terceira região; Piazza Armerina, cidade bem central na ilha, no topo de um vale e a Villa Romana del Casale (vila patronal romana com mosaicos bem conservados) e Caltagirone (ainda nessa região central siciliana) cidadezinha barroca com a fotogênica Scalinata di Santa Maria del Monte, como quarta região; e, por fim Siracusa que fica a uns 70 km ao sul de Catania, patrimônio da Unesco e sua ilha germinal de Ortiga.

No mínimo uns 30 dias pra conhecer com calma todas essas cidades encantadoras. Nessa primeira viagem eu apenas tive 6 dias pra focar em Catania, Taormina, Cefalù, Pollina e Palermo; foi uma correria grande, mas deu pra sentir um gostinho único e uma vontade de querer voltar a essa ilha incrível. Se esse relato não te despertou vontade de conhecer ela, sinto muito!

Dicas gerais pra viagem

(que podem ou não se aplicar a TODA VIAGEM QUE FIZERES):

Aplicativos:

Assim que chegar ao aeroporto, já procure as lojas de operadoras de telefonia local, e compre um pacote de dados pré-pago e um sim-card. Com ele, você poderá consultar os aplicativos e fazer pesquisas na internet quando surgir dúvidas sobre a viagem, NO MEIO DA VIAGEM. No aeroporto os preços desses cartões são ligeiramente mais caros do que nas lojas de ruas do seu destino.

Eu sempre usei o aplicativo tripadvisor pra fazer pesquisas de restaurantes e bares, além de sugestões de passeios mais populares nos lugares que estou visitando. Além de selecionar restaurantes e experiências que são ranqueados pelos próprios usuários do app, dá pra ver fotos, consultar os menus e preços, horário de funcionamento, endereço e tomar a decisão de onde ir previamente. Sem sustos e imprevistos.

Outro aplicativo que não pode faltar é o google maps ou o waze para conseguir dirigir e trafegar sem se perder. Na verdade, o TRIPADVISOR perdeu o seu lugar de pesquisas pra bares e restaurantes pra mim. O google maps faz esse papel agora. Saio clicando nos restaurantes, de olho nas suas notas e avaliações e sobretudo na quantidade de avaliações. ISSO JÁ TE DÁ UM NORTE SOBRE ONDE COMER, tendo ideia de quanto irá gastar inclusive, olhando o cardápio do lugar nas fotos.

Pra fazer reservas de hotel, uso o aplicativo. Sempre que tive problemas com a reserva ou com o Hotel o booking foi bastante rápido no atendimento e resolveu o problema. Ou se o local for muito caro, como nas grandes capitais e compensar, uso o aplicativo do Airbnb. Mas não custa nada comparar preços do mesmo hotel no google.  E, se for o caso, entrar em contato direto com a propriedade e reservar com eles, pois o preço certamente será menor.

Para aluguel de carros, usei o, que é da mesma empresa do booking. Mas também vale a pena fazer o mesmo daí de cima: procurar outros sites e comparar preços antes de reservar. E checar a avaliação da locadora no google maps também. Fica a dica. É de grátis.

Segurança:

Em qualquer lugar que viaje, fique atento como se estivesse no Rio de Janeiro, em Recife, ou em qualquer outra grande capital brasileira. Portanto, estamos vacinados. Na Itália, de modo geral, podes circular à pé à noite ou de madrugada pelas ruelas das cidades. Se for mulher desacompanhada, fique esperta com os italianos engraçadinhos. Durante o dia, circule normalmente pelas ruas nas áreas mais movimentadas e turísticas sem nenhum problema. Mas sempre com o “alerta ligado”.

Eu mesmo, já tive um motorhome arrombado em Bolonha. Levaram minhas roupas e o rádio (veja que coisa antiga, levar rádio!); fiz um BO numa delegacia com um carabineri de má vontade, que custava a acreditar no meu relato e nos itens que perdi nesse roubo. Parecia que ele estava fazendo um favorzão pra mim. E ainda insinuou que deveriam ter sido ciganos ou romenos; sem fazer nenhum esforço pra elucidar o crime. Portanto, na Itália, de modo geral, é bom ficar bastante alerta, como se estivesse no Brasil

Mas vá, sem medo de ser feliz!

Último quesito. Esse MUITO IMPORTANTE PRA MANUTENÇÃO DESSE ESPAÇO AQUI:

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Por Published On: outubro 10th, 2024Categorias: EuropaTags: ,

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